Da lista do que não fazer
Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
quarta-feira, 10 de abril de 2024
Poema: "Este poema não é para você"
Há uma balbúrdia ao derredor.
Quiçá a luz aconchegante e o café sobre a mesa.
A turba sandia dispara algaravias
Em toscas linhas sob o pé-direito vasto.
Não obstante isso, escrevo este poema,
Infenso à estultice que próximo a mim grassa.
Como a dizer do que descreio,
O destino, a divindade, cruzar de dedos,
A Fortuna, pesadelo, as pobres Parcas;
A última moda, o amor, o seu perfume.
E no fim desta tarde de plúmbeas plúvias,
O poema, esquadria pensa do que sinto,
Desencrava a harmonia que teimam os cacos em conspurcar.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Da arte neste século XXI.
Por curiosidade, parei para ver uma pequena exposição de pinturas no Metrô - alguma coisa da quintessência. O local já não ajuda muito, pois puseram os quadros num canto meio escuro, pelo qual só passam os passageiros que vão pegar o monotrilho da linha Prata - em geral, pessoas tão interessadas por artes plásticas quanto eu tenho interesse em pagodeiro e funkeiro. Algumas telas ficam imersas numa penumbra desencorajadora, mas as que ficam sob a luz não me pareceram melhores nem mais interessantes que um ferimento supurado. Fiquei ali, em busca da quintessência, mas o máximo que consegui foi me irritar com a moçoila que teimava em teclar o celular bem na frente de uma das telas. Não que fizesse diferença, dado que todos os quadros eram parecidos, exceto pelas cores.
quarta-feira, 13 de junho de 2018
domingo, 8 de janeiro de 2017
domingo, 29 de novembro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Poema
A despeito de ser palavras e cérebro,
Talvez um fio de sangue e sal,
O poema que intento aqui,
À lâmpada amarela de sódio,
Nasce, difícil e tenso, das entranhas
E do que resta do que um dia
Foi música lenta, beijos, um caldo afeto.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Poema de agora
O que resta ao futuro
Exceto repetir obsessivo
Suas pregressas promessas?
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Poema de hoje
Melhor mudar
A cadeira de lugar
Melhor calar
Antes da noite
Nos tomar.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Cinema
segunda-feira, 23 de março de 2015
Poema
O caminho está repleto de pedras e farpas
De plantas rasteiras que adubas com afinco.
Não te enganes com a luz adocicada que vem
Da cauda dos pavões de pés cobertos.
Entanto, crês no que te falam as folhas
Sopradas pelo vento que te adentra as frestas
Do que vestes em disfarce. A farsa
Tem o gosto do mel que adere ao fundo
Do vazio que vendes, que vendas ―
Olhos sem luz são estranhamente brancos.