"Da solidão"
Hoje acordei com teu sussurro
Fazendo riscos na paisagem de chumbo
Que eu insistia em esboçar.
Mas me virei, sentindo o gosto
Dos sonhos mal digeridos
E tu não estavas ali, e a janela
Me trazia um céu de sangue
Borrado enquanto crianças gritavam
E metais se retorciam
Em água e óleo e silêncios
Sujos que a chuva não lavava.
Há dias assim: de espaços
Impreenchíveis, de vozes
Que vêm sem mais - olho sem íris -
Em que o sol se abre
Para bocas secas e sem dentes,
Fendas que se fizeram de repente.
Ontem fui testemunha de um desastre que certamente passará à história como o novo "dia em que a música morreu"...
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