"Dos ocos"
Porque, decerto, os míopes
Comem cereais dormidos ao fim da noite,
E junto ao meio-fio das avenidas
Os cegos andam, brandindo
Suas bengalas retráteis.
E para as paredes do prédio próximo
Abrem-se minhas janelas,
E dentro pessoas vêem TV
Ou mastigam o bolor no pão de cada dia,
Ou sonham com facas e outros objetos
Incisivos, ou trepam furiosamente
Com os pôsteres de mulheres
Amareladas de uso e prazo.
Porque, decerto, o oco que és,
Voz que vaza de tuas tripas,
Queda no asfalto onde
Nem crianças nem cães cagam,
Onde os nervos, expostos, pulsam sem ritmo
E, cobertor desastrado, tropicas
Em tristes tópicos catando o que resta
Da gosma (qual lesma) - de rastros -
Entre livros, e travos,
E egos despedaçados.
E não é que este blogue chega hoje aos 3.000 visitantes?
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